segunda-feira, 15 de março de 2010

Breve relato de uma fuga impensada

Ela partiu. Amontoou uma trouxa de roupas, deu um beijo no gato, um afago no velho cão e fechou a porta atrás de si. Não avisou ninguém. Enfiou na cabeça a ideia de que seria mais feliz sozinha do que compartilhando momentos medíocres ao lado de pessoas hipócritas que insistiam em lhe dizer que o melhor caminho era ser convencional. Retirou de uma velha agenda as economias guardadas meticulosamente e deixou pra trás seus breves 20 anos de história para correr atrás do sonho de uma vida inteira: conhecer Paris. Ah, a cidade das luzes...

Dos olhos, não deixou cair nem ao menos uma lágrima. Dos lábios, soltou um suspiro, daqueles aliviados, mais esperançosos do que assustados. Não olhou para trás e nem ao menos viu sua meia-irmã virando a esquina da rua de baixo, com os cabelos ruivos esvoaçando em meio à brisa de inverno. Nos ombros, a velha mochila, surrada de tantas aventuras em trilhas pelos matagais. De sapato, só o tênis meio desbotado que estava em seus pés, sussurrando ao mundo a cor que um dia havia tido. Nenhum anel nas mãos, nem brincos ou batons. Despiu-se de sua vaidade infantil para ter a certeza de que começaria agora a construir sua identidade. Mulher. Sim, mulher. Não queria mais as roupas cafonas que seu guarda-roupa armazenava ou os velhos colares delicados com que a mãe insistia em lhe presentear.

Seguiu o caminho tortuoso à sua frente, dobrou a esquina e entrou subitamente em um ônibus. Pisou pela última vez aquelas ruas calçadas de paralelepípedos que tanto foram palco das brincadeiras de pique. Embarcou com destino certo: viver intensamente e desbravar novos horizontes, como apenas uma pessoa sozinha pode ser capaz de fazer. Em breve poderia descobrir que estava errada. Muito errada.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Patos na lagoa

Eu poderia escrever este post com dois sentidos diferentes, mas vou preferir o literal. Fui caminhar nesta semana na lagoa do Taquaral, aproveitando um dia nublado e friorento para esticar as pernas e colocar a mente em ordem. Precisava urgentemente de ar puro e de um vento capaz de levar maus pensamentos embora. A tranqulidade que um bom passeio no parque oferece cura qualquer problema, eu digo.

Quem me conhece sabe o quanto sempre gostei de fazer trilhas e me aventurar no meio da mata, observando os detalhes - ou mesmo apenas aproveitando para um exercício mais puxado e sem as artificialidades abomináveis de uma academia. Odeio academia. E também odeio ficar caminhando em volta de pracinhas, andando em círculos como o cão que persegue o próprio rabo. Acho que eu já escrevi isso aqui antes. Não importa. É verdade.




Sorriso discreto no rosto, satisfação estampada, lá fui eu andar os quase três quilômetros de percurso. No meio do caminho normalmente encontro algumas amigas capivaras, mas nesse dia elas estavam tímidas e a única que vi resolveu dar um mergulho quando me aproximei com a câmera. Não tem problema. Os patos fizeram a tarefa de relações públicas. Estavam tão bonitinhos e organizados que não resisti. Clique neles.



O passeio me fez bem. Aliás, sempre faz, não é mesmo? Voltei um pouco renovada pra casa, pronta pra fazer mais milhares de contatos profissionais.

Na verdade, hoje estou precisando novamente desse momento-relaxamento, porque a angústia tem teimado em bater à minha porta. Eu resisto porque gosto de ser positiva e acho que já deixei a tristeza conviver comigo tempo demais quando era mais nova. Gosto de ser uma pessoa alegre e contagiante, com boas vibrações e sempre ideias que me fazem bem. Às vezes dou uma fraquejada, mas quem não é assim?

O importante é lembrar o velho chavão de que cada dia temos a oportunidade de recomeçar e de fazer tudo diferente. Aliás, foi com esse mesmo propósito que me mudei para Campinas: pronta pra começar uma nova vida, tentando mudar os defeitos que vejo em mim e que me irritam. Como é difícil! Parece que, mesmo com 30 anos, já sou uma velha resistente e intolerante. Mas também sou insistente, ah sou. Aos poucos vencerei meus velhos maus hábitos e conseguirei ultrapassar as limitações que insisto em achar que tenho.

Vou ao mercado, perguntar ao rapaz das prateleiras se eles vendem um pouco de autoconfiança por lá. Ah, e se venderem dinheiro também, baratinho, eu compro! Pago um real em uma nota de 50. Vale?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Posso pular o Natal?

Novamente dezembro. Mais um ano que voou. E, mesmo ainda tendo alguns dias para o final, acho que já dá pra fazer um balanço de tudo o que aconteceu. Muita coisa boa, mas também muita coisa confusa e complicada se desenrolou nestes 12 meses. Foi um ano de mudanças, em muitos sentidos. Mudei de cidade e, nisso, minha vida se transformou da água para o vinho. E mesmo que muitas coisas boas tenham se concretizado, a verdade é que 2009 foi uma continuação truncada e difícil de todas as coisas iniciadas em 2008. Nenhum dos dois foi dos melhores anos da minha vida.

E agora novamente estamos nessa época do ano medonha, em que todos ficam com sorrisinhos falsos desejando quase que maquinamente "Feliz Natal". Não gosto de Natal. Não agora. Sem considerar o significado religioso da data, que pra mim não faz a menor diferença e nunca fez, Natal é uma época em que eu sempre penso como as coisas poderiam (e deveriam) ser diferentes. Quando era criança, não havia data melhor. De agosto pra frente, já esperava dezembro com aquela ansiedade infantil tão gostosa, genuína e ingênua.

Em 1. de dezembro já ia eu correndo agarrar na barra da calça da mãe, implorando pra montarmos a árvore de Natal, que lá em casa nunca foi daqueles pinheiros lindos que a gente vê nos filmes da TV, mas que, mesmo assim, era linda e toda especial. Era uma alegria montar um por um de seus galhos e enfeitá-los com bolas verdes e luzes piscantes. Os presentes iam se acumulando embaixo da árvore e o clima de felicidade que todos tanto exaltam realmente invadia a casa. A noite da véspera natalina, então, era uma festa à parte. A família nunca foi muito grande, mas os poucos que éramos já nos bastávamos.

Acho que nunca terei outro Natal como aqueles. E por isso hoje odeio a data. Sei que não haverá mais uma família feliz reunida. Sei que hoje sempre estaremos cada um em um canto, separados espiritual e fisicamente. Essa situação, enfatizada ano a ano, fez meu Natal perder a graça. Hoje ficamos não mais do que quatro gatos pingados olhando um pra cara do outro, em volta de uma mesa lindíssima e cuidadosamente posta, mas que não guarda as mesmas esperanças de antigamente. O esmero em fazer uma ceia de dar água na boca continua o mesmo, mas as circunstâncias são bem diferentes. A comida fica lá nos olhando e nós ficamos fazendo de conta que está tudo bem e que a essência natalina não mudou muito. Mas é uma farsa. É uma data amarga. E meia-noite já é hora de ir pra cama.

Há algum jeito de pular o Natal?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Autônoma

Autocensura. Autocrítica. Autoavaliação. Autoestima. Autochatice. Tudo junto e sem hífen. Ando me boicotando a cada vez que venho escrever um post. Minha capacidade de achar tudo extremamente inútil está exacerbada nestes últimos dias e por isso ando meio quieta. Bico fechado. Enquanto isso, lá fora chove. Pode mesmo parecer exagerado, mas a chuva não para há uns dias. E o sorvete está tão duro que preciso deixá-lo meia hora na pia antes de conseguir cutucá-lo com a colher. É, eu sei que sorvete e frio não combinam muito, mas eu sou assim mesmo. E ando precisando de doce.

A chuva boicota minha piscina, minha caminhada e meu ânimo. Apenas é uma deliciosa desculpa pra assistir uma infinidade de filmes que tenho listados, preferencialmente debaixo das cobertas. Os livros também andam acumulando-se pelos cantos. E é impressionante como a gente sempre consegue dar um jeito de nunca ter tempo de fazer nada, seja com um emprego convencional, seja dentro de casa. Sempre há ocupações urgentes.

sábado, 28 de novembro de 2009

Sabotagem

Hoje São Pedro me sabotou. Ontem fui dormir prometendo a mim mesma que aproveitaria o sábado: um mergulho na piscina, um sol pra manter o bronze e um belo passeio no parque no fim da tarde. Acordei com aquela tradicional preguiça que sempre tenho, mas nem precisei olhar no relógio para ver que horas eram. O barulho da chuva já me desanimou - ou me animou ainda mais a permanecer na cama. Fora aproveitar o dia, não tinha mais nenhum compromisso. Voltei pro meu sono bom e só levantei quando era 11h52. Ao menos, consegui a meta de acordar antes do meio-dia! :)

Tá, pode parecer ironia, mas, embora eu ame curtir meu sono quando estou dormindo, odeio levantar depois desse horário, porque sempre fica aquela impressão de que não fiz nada no dia. Então, ficando de pé oito minutos antes já fico feliz. E, como estou em casa sozinha, a preocupação com o almoço é a menor do mundo. E, na hora que bateu fome, foi só fuçar na geladeira e esquentar comida velha no microondas. Ainda tava boa.

São Pedro me sacaneou. Juro que hoje eu ia tomar sol!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

The beauty of days

Now the sky is gray outside. And even without the sun or at this anoying clock time, when night is near and the day is almost over, it`s a beaudiful sky. A smooth breeze shake my hair and make me feel a little cold; and it`s good. I wish I had joy better this day, to make it more intense. The good part is that I can start all over again tomorrow. I just have to discover my strength. :)

In these times that I have almost nothing to do, I`m reading a lot. Or trying to. Because I frequently start to read many things at the same time, sometimes I run in circles... For example, at this moment, as the rain falls outside and I hear its agradably noise, I am watching one more time to American Beauty (really love this movie!), at Telecine Cult, and there are three books by my side, each one in a different page. From Saramago to Institucional Comunication, these books are now my only company.

Yes. I am home alone. And, unbelievable, it`s not so bad. At least, not now. I like to be alone, especially when I`m fine with myself. The only problem is that sometimes I can`t force myself to do the things I have to do.

Today I went downtown to leave a telephone at a technical assistance. Yes, that`s true: we are without phone at home. Only our cell phones can help us. :) I just hope every employee try to contact me through the cell. 

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Life is beautiful.

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Just a small breakpoint: it smells pot here... I think that we trade six for half dozen...

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"The only person you can count, ever, is yourself". Deep, isn`t it?
Another incredible piece: "It`s amazing when you discover that you still can surprise yourself. At these moments you really believe you can do anything you want".

I'll try to mentalize this last knowledgement.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Autocensura

Eu não costumo divulgar meus blogs. Por mais paradoxal que seja, não gosto muito de dividir minha intimidade com estranhos. Adoraria que meus amigos sempre viessem aqui ler o que tenho a escrever - as confusões, as conquistas, as alterações, as indecisões e a minha vida. Mas não gosto da idéia de que qualquer um possa ler sobre minhas inseguranças. Durante muito tempo evitei as mensagens desse tipo, como as dos últimos posts. Agora até penso em cometer uma autocensura e apagar essas linhas tão íntimas sobre falta de rumo e de objetivos concretos. Mas resolvi deixá-las. Ao menos pra me lembrar desses dias.

A partir de agora, nada de sentimentos ou de como me sinto impotente tendo zilhões de coisas pra fazer e sem saber por onde começar. Voltarei à proposta original - MEUS DIAS, impressões, fatos, descobertas e tudo de mais positivo que possa acontecer em minha vida.

!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

City of blinding lights

Estou em São Paulo. Vim dar mais um tiro profissional por aqui. Desta vez vou me aventurar em um ciclo de palestras que tem toda a cara de ser voltado para estudantes (affe). Mas alguma coisa proveitosa deve sair de lá. Assim espero. A viagem foi de ônibus, um tempo fresquinho e leve. Gostosa. Depois, chegada na cidade cinza, com trânsito à beça na Marginal Tietê, pra variar. E isso porque nem era horário de pique. Chegada em casa, conversa vai, conversa vem e eu acabei decidindo ir ao shopping comprar um chip pré-pago pra usar em Sampa. Acho que profissionalmente vai ser bom ter um número daqui. E é isso.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Segundas impressões de Campinas

** O pôr-do-sol no Taquaral é um dos mais bonitos que já vi em uma cidade.

** O trânsito daqui é tão caótico como o de Goiânia.

** Sem GPS eu ainda me perco pela cidade.

** Morar no 13. andar também tem seus inconvenientes, como ter que descer correndo de escada em caso de suspeita de incêndio.

** Quando aqui faz calor, faz calor MESMO. Outro dia, 34graus só na beira da piscina. 

** Botecos aqui não são botecos - são bares aconchegantes onde a batata-frita custa, no mínimo, R$ 17,00.

** As pessoas são pessoas aqui também. E, como tal, nos decepcionam igualmente.

** Continuo gostando mais dos animais do que de gente.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Concorrência

Nada como um dia após o outro para depredar as ideias e intenções mais sublimes. Nada como um dia após o outro para que esqueçamos os propósitos e permitamos o continuísmo e a acomodação. E, novamente, estou em casa, aproveitando uma vida que nunca quis de verdade e que, de fato, estou adorando. Mas tenho medo do cérebro atrofiar-se. E tenho medo de ter vergonha - e vergonha em estar gostando. E, na verdade, estou gostando, mas me sinto um tanto quanto culpada. Não fui educada para ficar em casa o dia inteiro, assistindo Ana Maria Braga e novela das seis. Não que eu faça isso de fato. Mas sei que ainda tenho muito o que conquistar e isso depende também do meu esforço. Enquanto é só opção ficar em casa, estudar um pouco, curtir um sol à beira da piscina e caminhar no parque no fim da tarde, tudo bem. O problema é quando deixar de ser opção e não for encontrada alternativa. Isso é assustador.

Hoje li um e-mail que, embora tenha sido direcionado imediatamente para a lixeira, me fez refletir um pouco sobre os ciclos de nossa vida. Talvez essa pausa depois da mudança seja realmente necessária - embora não seja o primordial em um processo de adaptação, convenhamos. Mas talvez - só talvez - eu esteja em um momento de introspecção, em que é preciso refletir para descobrir um "caminho" legítimo, capaz de me fazer bem hoje e nos anos vindouros. Só espero que sair desse ciclo dependa apenas da minha capacidade, e não da conveniência dos outros.

Muitas ideias têm passado por minha cabeça, algumas até proveitosas, mas todas evidentemente rasas demais. E estou em um momento de absoluta falta de comprometimento para comigo mesma. Então começo a desenvolvê-las e logo as interrompo. Agora mesmo, estou em um processo de conscientização de que o conteúdo de dois anos de estudo não entra diretamente na mente - e que eu preciso desesperadamente estudar se quiser (eu quero?) passar em um bom concurso, pra fazer algo que absolutamente nunca fiz antes, sem qualquer relação com os nove anos que passei nos bancos das faculdades. Mas o salário, ó, compensa! Então, cá estou, com o caderno em minha frente, lendo duas linhas por vez enquanto escrevo outras tantas aqui. E, no fundo, estou com vontade é de ir pra cozinha fazer um belo pudim de leite!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

De volta pra casa

Nem o céu crivado de estrelas da noite viajada, nem a intensidade do sol desta cidade tiraram meu pensamento da quantia de coisas que preciso me obrigar a fazer. A palavra de ordem, agora, é ATIVIDADE! Em todos os sentidos. Preciso sair da latência gramatical e exercitar minha verborragia em algum projeto realmente mais concreto. Preciso trocar meu celular e meu ânimo - deixar de ter vontade de apenas ficar em casa descobrindo meus dotes culinários. Isso ainda não me dá dinheiro. Tudo é prioridade: estudar, montar meu blog profissional, arrebanhar frilas, encaminhar currículos, praticar a caminhada nossa de cada dia, enfim, mais do que nunca, necessito de disposição e de um dia mais comprido.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Procura-se

Procuro um título. Algo um tanto inusitado e também marcante. Algo capaz de impulsionar e chamar a atenção. Algo que ainda preciso pensar. Mas isso é outra história e, mais uma vez, não é sobre isso que quero falar. É que esse é apenas um dos meus projetos paralelos que vai se arrastando como uma lesma e vai engolindo minha capacidade de concretizar as coisas. Mas ainda vou conseguir tirá-lo do plano imaterial, vocês vão ver.

Eu, às voltas com um turbilhão de (falta de) ideias - por mais paradoxal que isso possa parecer -, percebo outra vez que preciso definir um caminho. É, aquele mesmo caminho que falei que se perdeu em Sushi e Maionese. E à noite as coisas parecem ser mais claras. Agora, falta a prática e o foco. Sem atirar para todos os lados. E é nesse ponto que uma conversa sincera hoje me fez bem. Se sempre soube viver bem a vida sem que fizesse planos nazistas, então mais uma vez encontrarei esse mesmo caminho.

Enquanto isso, vou curtindo minha estadia temporária na cidade em que vivi meus 30 primeiros anos de vida. Novamente, um bom papo com os amigos na Tribo do Açaí me fez muito bem.

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Ponto de reflexão: é engraçado perceber que, mesmo depois de alguns dias longe da cozinha, minhas mãos ainda guardam um leve cheiro de alho.

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domingo, 25 de outubro de 2009

Sobre a vontade de começar e não saber exatamente o quê

Tá, ninguém lê meu blog, eu sei. Até fiz um pouco de publicidade, mas nunca fui muito boa nisso. Não gosto muito de me autopromover e sei que isso já me fez perder ótimas oportunidades. Mas tudo bem. Não é sobre isso que eu quero falar mesmo...

Estou em Goiânia, por apenas alguns dias rápidos. E queria ter disposição para fazer tudo o que não fiz nos 30 anos em que aqui morei. Sei lá: rever os amigos, ir a bons botecos novos, passear com a cadela, ir a algum museu bacana, descobrir uma exposição inusitada, fazer um encontro de jornalistas, viajar pras cidades turísticas próximas (leia-se Caldas e Piri), ir para o clube tomar um sol, garimpar roupas baratas na feira... Vejam bem: queria. Porque, de fato, ando me arrastando da sala pro quarto e do quarto pra cozinha. Calor infernal. Sem carro. Mas só de rever Claris, Van, Flavia, Raquel, Marcão já valeu à pena. Acho que a gente até faz amigos novos em outros lugares, mas é difícil que eles se tornem "amigos de infância" tão rapidamente.

Ainda fico aqui alguns dias - e não quero dar um stop no meu ritmo de caminhadas, embora este forno não seja nem um pouco convidativo para caminhadas. Na viagem para cá, tentei imensamente planejar minha semana de forma positiva, tentando elaborar atividades de 365 dias para 1 semana. Mas infelizmente fui obrigada a conviver por 13 horas e 30 minutos com um cidadão nada conveniente no banco de trás. Pensei que o suplício tivesse acabado depois de 1 hora de conversa ininterrupta no celular e gargalhadas extremamente perturbadoras à 1 hora da manhã, quando ele resolveu desligar o telefone e me deixar a sós com meus pensamentos. Ledo engano. Durou pouco tempo. Logo, resolveu proporcionar uma (nada agradável) música em seu iPod para todos os passageiros. Colocava o fone de ouvido por alguns milésimos de segundo, tirava novamente e deixava-nos perceber a música de seu playlist. E nisso meus pensamentos positivos logo transformaram-se em rugidos mal-humorados. Ele percebeu, mas fingiu que não era com ele. Puta cara inconveniente. Mas é fato, não adianta: nessas horas, nada melhor do que ignorar para que a pessoa perca a graça. Tampei meus ouvidos, engoli meus grunhidos, coloquei o travesseiro na cara e fingi que dormia. Logo o silêncio imperou no ambiente. Ufa! Daí em diante, curti o meu sono nas duas poltronas, porque não tinha ninguém do meu lado. Que sorte!

À tarde, fui ver Clarissa e um pouco depois, juntamente com Flávia, fomos comprar La Sombra del Viento, assim mesmo, em espanhol, para presentear nossa amiga Vanessa. Shopping, bolo de chocolate, garrafas de vinho e martini. Tudo em mãos, fomos para o apartamento do M.A. - ai que saudade do meu antigo apartamentinho, ali mesmo naquele prédio! A vista ali decididamente é bem mais bonita do que a que tenho atualmente em meu apê em Campinas. Tudo bem. Bola pra frente. Melhor não pensar no passado. Aliás, a vida está por demais boa pra ficar pensando em coisas que poderiam ter sido melhores.

O sono foi só depois do banho das 3 da manhã. E hoje, outro dia agitado. Casa da sogra, sobrinho, Pietra, churrasco, cerveja. Desse jeito, meus planos otimistas para continuar perdendo peso tiveram um sério obstáculo. Mas não tem problema. É só um deslize. Amanhã tem mais.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Complexidades

Ontem me deparei com uma pergunta que não soube responder e que me causou desconforto sem igual, como há muito não sentia. Algo como "o que você quer ser quando crescer", sabem? Esbarrei em meus medos, anseios, inseguranças e não encontrei resposta plausível. Afinal, sobre o que, realmente, eu gosto de escrever e estudar? Se eu fosse montar um blog profissional, por exemplo, sobre o que gostaria de escrever de forma mais aprofundada? Putz... Sobre tudo e sobre nada em especial. Eu sou meio daquele tipo que gosta de fazer o que me cai à mão. É tão difícil entender isso? O duro é que é difícil, sim. Sabe por quê? Porque falta foco, falta direcionamento, falta entusiasmo e interesse para a dedicação em algo realmente proveitoso.

Daí pra frente, nem consegui dormir direito. Porque desde criança sou assim. Na escola já era a garota que gostava de tudo, tirava notas boas e que, quando pressionada sobre que faculdade cursar, simplesmente todas as opções passaram pela cabeça. Tentei Medicina, depois Computação, seguido por Publicidade, depois por Jornalismo e até Psicologia. Passei em três desses vestibulares - concluí Computação e Jornalismo e comecei Psicologia. Mas isso não significa que meu leque acabou aí... minhas dúvidas pairavam, inicialmente, até mesmo sobre Arquitetura, Engenharia, Direito e Veterinária. Daí dá pra perceber: Humanas, Biológicas e Exatas, todas no meu caminho.

Por um longo tempo me satisfiz no Jornalismo - até o momento em que percebi que não saber puxar saco dos outros e me autovangloriar seriam características que me fariam ganhar um parco salário no fim de cada mês. Passei para o segmento de comunicação empresarial - melhor remunerado, muito menos excitante. E agora, que estou em busca de uma recolocação em um novo mercado, fico pensando em todas as minhas opções. E a pergunta acima mencionada surgiu da hipótese de ingressar em um mestrado. E aí? Faria pesquisa sobre o quê? Ao menos sobre que área, que segmento? Cri-cri-cri-cri.

Estou, agora, em um momento de reflexão. Vou montar um novo blog, desta vez profissional. Tenho duas boas idéias em mente. E sei que, como já disse acima, posso gostar imensamente das duas. Aliás, me desculpem pela agressão gramatical: ideia não tem mais acento. Não consigo me acostumar com isso.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

De céu claro e pôr-do-sol

Eu adoro horário de verão. Realmente gosto. É maravilhoso sair pra caminhar no fim da tarde e chegar em casa com o dia ainda claro. Sair do trabalho e ir pra um boteco fazer um happy hour com o céu claro é simplesmente o máximo. Não tem preço. Não, não. Ainda não estou trabalhando, mas lembro-me bem dessa sensação gostosa de um dia de semana parecer domingo na praia.

Tenho ido caminhar todos os dias, já há mais de semana. E estou adorando a experiência. Explico: não tenho muita paciência pra voltinhas em praças... me sinto uma boba, como o cão que persegue o próprio rabo. Gosto de ter destino. E gosto de trilhas. Aqui, embora eu fique um pouco correndo em voltas, o caminho é mais longo, arborizado, de chão batido mesmo. Parece uma trilha em meio à natureza. E isso me anima muito. Gosto de ver o verde, ouvir os pássaros e me deparar com uma capivara no meio do caminho. Gosto de olhar o lago, especialmente quando reflete aquele pôr-do-sol avermelhado que indica tempo frio a frente.

Depois, um banho quente pra relaxar. Estou me sentindo viva. E estou adorando!

Essa aí é a Lagoa do Taquaral, onde tenho passado meus fins de tarde...




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Impressões campineiras

Passaram-se alguns dias desde que fiz minha última visita neste blog. Mas não é abandono, não. Era pura e simples falta de tempo. Mudar dar trabalho. E só agora, duas semanas depois, é que consigo falar que parece que as coisas estão em seu devido lugar. Armários arrumados, escritório organizado, cozinha pronta para o uso, quartos bonitos e ajeitados. Só faltam alguns móveis pra incrementarmos a decoração. A primeira aquisição será um tapete, daqueles bem gostosos, pra colocar na sala e ver tv deitada, com a cabeça apoiada nos puffs. Também precisamos de uma mesa de jantar. E provavelmente compraremos uma tv maior, em mais de uma dezena de prestações.

Fora essa época conturbada, tenho várias impressões positivas da cidade. E a cada momento me surpreendo com alguma coisa que gostei aqui onde estamos morando. Isso é bom. Nunca tive uma ducha tão boa em casa - que banho gostoso! Na esquina tem um minishopping com academia, farmácia, verdurão, lotérica e subway. Basta enfrentar uma subidinha de uns 20 passos. Nas preocupações típicas de dona de casa, a lavanderia fica de frente para o sol - e, quando não chove, a roupa seca em menos de uma hora.

E duas semanas pode até parecer pouco, mas já deu pra ir pra balada algumas vezes. E aqui certamente há mais botecos animados do que Goiânia. Na verdade, só fui em bares do estilo fechado - do tipo pub mesmo -, alguns com música ao vivo rolando. E demos uma sorte tremenda ao termos caído de paraquedas em uma turma de amigos bem animada e divertida. Pra se ter uma idéia, já rolaram muitas cervejas, algumas tequilas, várias doses de whisky, batidas à vontade e até caipiroska de rúcula. Fora o suco de tomate apimentado e os mojitos. :)

Algumas outras conclusões:

** Os pit dogs aqui não existem - na verdade são oficializados como lanchonetes ou sanduicherias. Nada daquela coisa no meio da praça, com mesinhas espalhadas por todo lado.

** Há dois dias só chove. Definitivamente, vou ter que comprar um guarda-chuva por aqui, embora os deteste profundamente.

** Já aprendi a ir de carro até o Carrefour, até o shopping D. Pedro e até a Unicamp. Tudo aqui pertinho de casa. O resto, só com o auxílio imprescindível do GPS.

** Os pernilongos aqui parecem ter vindo voando de Itu - são todos gigantes e pesados. A parte boa é que é mais fácil matá-los.

** Toda a lindíssima construção da Escola preparatória de cadetes do exército é cor de rosa. Tá, é meio afrutada pra uma corporação militar, mas, convenhamos, é muito bonita.

** Inauguração de boteco aqui lota como em Goiânia. Muita gente de pé, muita fila, poucos comes e bebes.

** As contas saem bem mais caras, o que é um verdadeiro suplício no fim da noite.

** Boa notícia para as amigas solteiras! Não sei, não - e talvez ainda seja cedo para afirmar com certeza -, mas tenho a leve impressão de que aqui não tem tanta mulher quanto Goiânia. :)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Recadinhos

O meu Dia D está chegando e estas últimas semanas estão cheias de despedidas e gostosos reencontros. Nunca canso de dizer o quanto é bom rever amigos que o tempo não leva embora. Estranho é perceber que é preciso ir embora pra rever tanta gente que faz parte de nossa vida. E como estou com um gostinho de nostalgia na boca, quis escrever alguns recadinhos.

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Vanessa, amiga querida de uma vida inteira. Você vai me fazer uma falta imensa. Quero ver você fazer muito sucesso - o final do doutorado vai ser só o primeiro passo para muitas conquistas. E não se preocupe que todas as intempéries de hoje vão cessar e serão apenas uma vaga lembrança de alguns dias ruins. :) Ah, e eu continuo querendo ser madrinha!

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Clarissa, amiga especial que dividiu tantas histórias comigo. Você também vai me fazer muita falta. Mas quem sabe eu não consiga fazer você se mudar também e explorar novos horizontes, ali pertinho de mim? Nova casa, novo emprego, novas oportunidades, novos amigos e novo(s) namorado(s) lhe aguardam por lá! Nossos caminhos ainda vão se cruzar, você vai ver!

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Agatha e Fernanda, adorei a saída ontem. Aquele chopp paulista do Glória é especial, mas a companhia foi a melhor fatia da noite. :) Mesmo depois de muito tempo, continuamos rindo de nossas bobeiras e imaginações férteis. Maria, seja feliz no seu novo emprego e na nova casa. E veja se consegue ser mais organizada! Nanda, me avisa se a pholiamagra funcionar. hahaha. Sintam-se intimadas a manter contato!

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André e Larissa, uma vida linda espera vocês - e agora nem tem jeito de ficarmos de fora, né cumpadis? O casamento promete e a lua de mel, então, nem se fala! A gente certamente ainda vai se ver muito. Afinal, estaremos em sua cidade, né Dedé?

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Lídia, amiga exemplo de força de vontade, garra e dedicação. Sinto muito por termos ficado tão distantes. Mas tenho certeza de que você vai superar tudo e conseguir concretizar todos os seus planos. Não suma!

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Fernando, continue mandando muitos mails, mesmo que sejam só de política! :) Um abraço especial à Ana e aos filhotes Laila e Jordan. (Mas faça uma forcinha pra mandar e-mails pessoais tb... hehehe)

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Michelle, quem sabe combinamos um novo reveillon na praia? Sua companhia é sempre bem-vinda!


*Thiago e Wanessa, Paulera e Andressa, Rose, Ana Maria, Raquel, Maurão, Paulinha e Thiago, entre tanta gente que estou correndo o risco de não mencionar: este post também é pra vocês! Verli e Carina, PC e Bia, Reginaldo, Flavitcha, Nuti e Gustavo: vocês já estão longe há tempos, então aprendemos a lidar com as ausências. Agora, Campinas será só mais um lugar que têm para visitar!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Eu não disse isso!!!

Acho que todo mundo de vez em quando pesquisa seu próprio nome no Google. Bom, eu faço isso de vez em quando. Sempre aparecem algumas matérias, um link para blog, alguns artigos, portfólios em sites, enfim, um pouco da minha vida profissional mesmo. Mas sempre que eu me deparo com aquela matéria ching-ling que fiz quando trabalhava na Cultura Online assinada como se eu fosse uma entusiasta da técnica e não uma repórter, fico realmente irada.

Esclareço: a matéria era sobre uma técnica de acupuntura que, segundo o terapeuta, poderia auxiliar no emagrecimento. Até aí, tudo bem. Como jornalista que recebeu a pauta para desenvolver, tinha obrigação de ir lá conhecer o tal acupunturista - um chinês baixinho que mal falava duas palavras em português. Feita e publicada a matéria, qual não é a minha surpresa quando me deparo com meu texto na edição da Veja Goiânia, como um anúncio publicitário com meu nome assinado embaixo, como seu eu estivesse validando tudo o que o baixote havia dito.

Irada, decidi processá-lo. Nem autorização para utilização do texto ele havia pedido, oras! E meu nome foi, sim, usado indevidamente. Era o ano de 2006, se não estou enganada. E, às voltas com trabalho - muito trabalho - e prestes a mudar de emprego, acabei largando mão de processar o tal chinês. Bobinha, eu sei. Mal de brasileira nata, que deixa de lado coisas que vão dar muita dor de cabeça por pouco.

O fato é que ainda hoje sou obrigada a ver esse texto passeando por aí, perpetuando-se na internet. A diferença é que agora ele roda em sites de conteúdo duvidoso e blogs de emagrecimento - e eu não emagreci nada, meu Deus! Nem ao menos experimentei essa técnica mirabolante! Como posso ter dado um depoimento? Pior ainda: nem o nome do chinês tem aparecido mais. Agora usam partes rasgadas da matéria - ou até inventam belezuras -, algo como "Acupuntura emagrece mesmo. A técnica surpreende e é altamente eficaz". Assinado: jornalista Liliane Bello. Ninguém merece! Eu, que estou bem mais pra gordinha do que pra magrinha, fazendo propaganda de método de emagrecimento...

Esse é o mal do ctrl+C, ctrl+V. Poucos se importam realmente com a veracidade das fontes ou com a procedência dos dados. E agora acho que é tarde pra processar! E segue a propaganda enganosa por aí.

domingo, 9 de agosto de 2009

O tempo e o vento

Antes eu sabia o telefone dos meus amigos de cor. Das amigas de infância-adolescência, então, nem se fala! E se era mais de um, sabia também. Hoje, tenho tudo anotado no celular. E mal-e-mal sei os prefixos. Logo, se o celular fica sem bateria, sem ter como carregá-la, eu não sei como ligar pra ninguém! E ninguém me liga mais no telefone daqui de casa. Já virou rotina falar só pelo celular, celular, celular. O resultado é um sabadão em casa, mesmo depois de ter combinado desde quarta-feira uma saída com as amigas. Mau, muito mau.

Aproveitei o tédio para desenvolver o trabalho que me comprometi a fazer. Fácil, mas trabalhoso. No fim foi bom, pois ontem já havia dado uma escapadela que era pra ser rápida e que durou a noite toda. Antes de encontrar alguns amigos no Thiosti, passei na casa de uma amiga querida que não via há muito, mas muito tempo mesmo. Fiquei realmente feliz em vê-la bem. E fiquei realmente triste por ter percebido o quanto me afastei de pessoas incríveis que concluíram a faculdade de Jornalismo comigo.

Acabei me envolvendo em tantas coisas simultâneas e os encontros com a turma acabaram ficando cada vez mais escassos. Agora já não sei se há tempo de resgatar o passado. Estou de malas prontas e os dias são curtos para marcar tantos happy hours. E ainda se conseguisse, algumas horas de conversa não colocariam em dia anos sem convivência. O pior é que isso não vale só para os colegas de jornalismo, mas para tantas pessoas queridas, que têm um espaço importante na minha trajetória e na minha vida. Triste.