Nada como um dia após o outro para depredar as ideias e intenções mais sublimes. Nada como um dia após o outro para que esqueçamos os propósitos e permitamos o continuísmo e a acomodação. E, novamente, estou em casa, aproveitando uma vida que nunca quis de verdade e que, de fato, estou adorando. Mas tenho medo do cérebro atrofiar-se. E tenho medo de ter vergonha - e vergonha em estar gostando. E, na verdade, estou gostando, mas me sinto um tanto quanto culpada. Não fui educada para ficar em casa o dia inteiro, assistindo Ana Maria Braga e novela das seis. Não que eu faça isso de fato. Mas sei que ainda tenho muito o que conquistar e isso depende também do meu esforço. Enquanto é só opção ficar em casa, estudar um pouco, curtir um sol à beira da piscina e caminhar no parque no fim da tarde, tudo bem. O problema é quando deixar de ser opção e não for encontrada alternativa. Isso é assustador.
Hoje li um e-mail que, embora tenha sido direcionado imediatamente para a lixeira, me fez refletir um pouco sobre os ciclos de nossa vida. Talvez essa pausa depois da mudança seja realmente necessária - embora não seja o primordial em um processo de adaptação, convenhamos. Mas talvez - só talvez - eu esteja em um momento de introspecção, em que é preciso refletir para descobrir um "caminho" legítimo, capaz de me fazer bem hoje e nos anos vindouros. Só espero que sair desse ciclo dependa apenas da minha capacidade, e não da conveniência dos outros.
Muitas ideias têm passado por minha cabeça, algumas até proveitosas, mas todas evidentemente rasas demais. E estou em um momento de absoluta falta de comprometimento para comigo mesma. Então começo a desenvolvê-las e logo as interrompo. Agora mesmo, estou em um processo de conscientização de que o conteúdo de dois anos de estudo não entra diretamente na mente - e que eu preciso desesperadamente estudar se quiser (eu quero?) passar em um bom concurso, pra fazer algo que absolutamente nunca fiz antes, sem qualquer relação com os nove anos que passei nos bancos das faculdades. Mas o salário, ó, compensa! Então, cá estou, com o caderno em minha frente, lendo duas linhas por vez enquanto escrevo outras tantas aqui. E, no fundo, estou com vontade é de ir pra cozinha fazer um belo pudim de leite!
A chuva
Há uma semana

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