Novamente dezembro. Mais um ano que voou. E, mesmo ainda tendo alguns dias para o final, acho que já dá pra fazer um balanço de tudo o que aconteceu. Muita coisa boa, mas também muita coisa confusa e complicada se desenrolou nestes 12 meses. Foi um ano de mudanças, em muitos sentidos. Mudei de cidade e, nisso, minha vida se transformou da água para o vinho. E mesmo que muitas coisas boas tenham se concretizado, a verdade é que 2009 foi uma continuação truncada e difícil de todas as coisas iniciadas em 2008. Nenhum dos dois foi dos melhores anos da minha vida.
E agora novamente estamos nessa época do ano medonha, em que todos ficam com sorrisinhos falsos desejando quase que maquinamente "Feliz Natal". Não gosto de Natal. Não agora. Sem considerar o significado religioso da data, que pra mim não faz a menor diferença e nunca fez, Natal é uma época em que eu sempre penso como as coisas poderiam (e deveriam) ser diferentes. Quando era criança, não havia data melhor. De agosto pra frente, já esperava dezembro com aquela ansiedade infantil tão gostosa, genuína e ingênua.
Em 1. de dezembro já ia eu correndo agarrar na barra da calça da mãe, implorando pra montarmos a árvore de Natal, que lá em casa nunca foi daqueles pinheiros lindos que a gente vê nos filmes da TV, mas que, mesmo assim, era linda e toda especial. Era uma alegria montar um por um de seus galhos e enfeitá-los com bolas verdes e luzes piscantes. Os presentes iam se acumulando embaixo da árvore e o clima de felicidade que todos tanto exaltam realmente invadia a casa. A noite da véspera natalina, então, era uma festa à parte. A família nunca foi muito grande, mas os poucos que éramos já nos bastávamos.
Acho que nunca terei outro Natal como aqueles. E por isso hoje odeio a data. Sei que não haverá mais uma família feliz reunida. Sei que hoje sempre estaremos cada um em um canto, separados espiritual e fisicamente. Essa situação, enfatizada ano a ano, fez meu Natal perder a graça. Hoje ficamos não mais do que quatro gatos pingados olhando um pra cara do outro, em volta de uma mesa lindíssima e cuidadosamente posta, mas que não guarda as mesmas esperanças de antigamente. O esmero em fazer uma ceia de dar água na boca continua o mesmo, mas as circunstâncias são bem diferentes. A comida fica lá nos olhando e nós ficamos fazendo de conta que está tudo bem e que a essência natalina não mudou muito. Mas é uma farsa. É uma data amarga. E meia-noite já é hora de ir pra cama.
Há algum jeito de pular o Natal?
A chuva
Há uma semana

Eu ainda gosto do Natal. Tenho uma família numerosa e barulhenta que se junta em algum lugar do país, tem dado certo essa fórmula. Mas acho também que se espera demais do Natal. O mais importante é ter o que agradecer na oração/prece/afins da meia noite. E um FELIZ NATAL pra vc! =)
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